O que é o assoalho pélvico?

O assoalho pélvico é um conjunto de órgãos (bexiga, útero e reto), músculos, ligamentos e fáscias que recobrem a parte inferior da pelve.

O que acontece com o assoalho pélvico na gravidez?

Na gravidez, os músculos do assoalho pélvico tendem a ficar mais fracos, alongados e sobrecarregados devido aos efeitos dos hormônios e do aumento da pressão abdominal. O alongamento muscular é positivo por um lado, pois prepara a pelve para o parto normal. Porém, o enfraquecimento muscular secundário predispõe ao aparecimento de disfunções, como a incontinência urinária (perda involuntária de urina).

Quais cuidados a gestante deve ter com o seu assoalho pélvico?

Desde 2009, a Sociedade Internacional de Continência, baseada em estudos científicos de alto nível de evidência, recomenda que todas as gestantes, independente da via de parto (normal ou cesárea), realizem exercícios para os músculos do assoalho pélvico, pois eles podem prevenir e tratar as disfunções do assoalho pélvico, além de aumentar a percepção sobre essa região.

Como realizar os exercícios?

A forma como a gestante deve realizar os exercícios depende de como sua musculatura se encontra em relação ao tônus, força, resistência, controle e coordenação. Portanto, os exercícios devem ser prescritos individualmente, de acordo com o diagnóstico muscular feito pelo fisioterapeuta. A avaliação da musculatura é realizada por exame físico (inspeção e palpação vaginal) e por meio de aparelho de biofeedback, que oferece uma medida mais objetiva da função muscular. Pode ser feita assim que descoberta a gravidez, exceto se há restrição médica, ou idealmente antes da gestação. Já na avaliação, o fisioterapeuta prescreverá exercícios para casa de acordo com as necessidades individuais da musculatura da gestante.

Os exercícios devem ser mantidos até o final da gestação?

Os exercícios são importantes para qualquer gestante, independente da via de parto, até o final da gestação. A tendência natural da musculatura ao longo do período gestacional é enfraquecer, mas, com os exercícios, é possível manter as funções musculares ou melhorá-las. Para isso, é fundamental a supervisão e reavaliação periódica pelo fisioterapeuta que, após a avaliação, irá sugerir atendimentos semanais, quinzenais ou mensais de acordo com as necessidades individuais e com a evolução em casa. Em geral, se a gestante apresentar bom controle e coordenação muscular, é possível realizar os exercícios em casa e manter sessões periódicas com o fisioterapeuta somente para readequação do programa. Nesses casos, há possibilidade também de realização de sessões em grupo, nas quais a gestante vai aprender outras formas de exercitar sua musculatura, além de realizar exercícios globais para a pelve.

Há risco dos exercícios causarem rigidez muscular e dificultarem o parto normal?

Não. Contrariamente, há estudos científicos demonstrando que os exercícios podem facilitar o parto, pois trabalham o controle de contração e relaxamento muscular e aumentam a percepção sobre a região. Importante lembrar que rigidez e força são conceitos diferentes. Muitas pessoas pensam erroneamente que músculo “duro” (rígido) é forte. No entanto, quando o músculo é excessivamente rígido, ele não consegue desenvolver força, pois perde a capacidade de contrair-se e relaxar-se adequadamente.  O desejável, então, para uma gestante, é ter músculos funcionais, fortes e com boa capacidade de alongamento para diminuir a possibilidade de lesões durante o parto.

Existe algum trabalho de preparação dos músculos do assoalho pélvico especificamente para o parto normal?  

A partir de 34 semanas de idade gestacional, pode ser realizada a massagem perineal pela gestante, seu parceiro e/ou pelo fisioterapeuta com o objetivo de alongar a musculatura na tentativa de prevenir lesões.  Com 37 semanas de idade gestacional, iniciamos o treino de coordenação para expulsar, que será útil no momento do nascimento do bebê. Muitas mulheres já sabem naturalmente realizar o movimento de expulsão, mas outras têm dificuldade, por ex.,para direcionar a força para a vagina e coordenar com a respiração.

Quais cuidados a mulher deve ter com o seu assoalho pélvico após o parto?

Após o nascimento do bebê, independente da via de parto, devem ser reiniciados os exercícios para os músculos do assoalho pélvico. Em geral, o fisioterapeuta já prescreverá esses exercícios no final da gestação, mas é possível que seja feito um atendimento na maternidade ou em casa para orientações mais específicas. É recomendável uma reavaliação muscular com palpação vaginal em torno de 30 a 40 dias após o parto, quando o fisioterapeuta irá orientar sobre os cuidados com o assoalho pélvico nesse período.